sexta-feira, 11 de maio de 2012

OAB Limpa, combate a corrupção já.

A campanha OAB Limpa Já está nas ruas, para aderir basta colar o nosso adesivo no carro. Felizmente, é grande a receptividade dos advogados e advogadas para com a idéia de que a entidade poderia estar fazendo mais para classe e para a sociedade, principalmente no que tange ao comprometimento com a ética.


Neste artigo, queremos discutir é o que a Diretoria da OAB/MT poderia fazer para combater a corrupção.
Diferentemente das Seccionais do Distrito Federal, Paraíba, Rondônia, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Paraná, e Rio Grande do Sul que apóiam mobilizando advogados e advogadas para marcarem presença na Marcha contra a Corrupção, a de Mato Grosso mais uma vez se omitiu. Não mobilizou ninguém, e sequer enviou representante à Marcha. A Seccional da OAB em Rondônia chega a promover a passeata pelo fim da corrupção na Assembléia Legislativa daquele Estado.

Nas Seccionais do Ceará e do Alagoas existe a nomeação de um advogado como observador da corrupção, sendo este o coordenador estadual do projeto nacional denominado de Observatório da Corrupção. Projeto que inclusive não teve qualquer estruturação ou até mesmo divulgação por parte da Seccional em Mato Grosso.



Em diversos estados a OAB interessada em combater a corrupção cria uma Comissão Temática formada por advogados e advogadas com tal propósito, como Mato Grosso do Sul que possui a Comissão Especial de Acompanhamento das Denúncias de Corrupção. No Pernambuco, a Comissão é a de Combate à Corrupção. Para tal criação não é necessária muita estrutura, mas sim vontade, já que a subseção de Joinville, por exemplo, possui a Comissão da Moralidade Pública.


Existem outros projetos que poderiam ser implantados. A Seccional do Piauí já lançou o projeto “Adote um processo” que tem como finalidade a designação e a responsabilização de estudantes e advogados para acompanharem e apressarem processos movidos contra gestores públicos, não deixando assim a prescrição e a impunidade como conseqüenciais judiciais. Iniciativas mais simples também seriam bem vindas como o Disque Denúncia, adotado nas Seccionais do Pará, Goiás, Santa Catarina e Sergipe.



Além de outros projetos, em estados com a diretoria mais comprometida com sociedade, a OAB lidera intensos movimentos apartidários, como é o caso da Paraíba com o movimento “Corrupção: Cada Não, Conta”. Porém, o exemplo mais enfático é a iniciativa liderada pela seccional paranaense da OAB, com o movimento "O Paraná que Queremos", que tem como principal foco "a defesa da moralidade e transparência" entre os representantes da Assembléia Legislativa.



Acredito que a ética não aceita indiferença: ou a OAB/MT combate a corrupção já, ou não conseguirá mais escapar da alcunha de leniente





Bruno J.R. Boaventura.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

OAB limpa, transparência já.

Hoje, completam 33 dias que o Movimento OAB Democrática e Ética solicitou à Seccional da OAB em Mato Grosso as seguintes informações: 1º) prestação de contas dos últimos 3 anos, com a respectiva e devida comprovação documental; 2º) lotacionograma de todos os funcionários de todos os órgãos internos, com a especificação da lotação, função e remuneração; 3º) relação dos nomes, respectivos cargos e remuneração dos advogados que porventura exercem múnus público sob a égide de indicação desta Seccional; 4º) relação nominal dos diretores, conselheiros e dirigentes que por ventura tenha contrato de assessoramento jurídico com órgãos públicos.”



Tais informações são de interesse não só da oposição, mas de todos os advogados e advogadas que queiram saber, respectivamente: 1º) como está sendo gasto o dinheiro arrecadado com anuidades e inscrições no exame da ordem, para que não haja suspeita de malversação; 2º) a existência ou não de nepotismo ou funcionários fantasmas; 3º) caracterização ou não de interferência política nas nomeações ou favorecimento de diretores; 4º) a configuração ou não de um conluio para fraude em licitações de contratação de escritórios de advocacia.



Não se pode ser oposição sem fiscalizar, e não se pode fiscalizar sem ter acesso a informações.



O requerimento encaminhado diretamente ao Presidente não teve qualquer resposta. A Lei n.º 12.527/11, que regula o acesso a informações previsto no inciso XXXIII do art. 5º, no inciso II do § 3º do art. 37 e no § 2º do art. 216 da Constituição Federal prevê no artigo 11 que a OAB/MT deveria ter disponibilizado o acesso imediato, ou no prazo máximo de 20 dias: I - comunicar a data, local e modo para se realizar a consulta, efetuar a reprodução ou obter a certidão; II - indicar as razões de fato ou de direito da recusa, total ou parcial, do acesso pretendido; ou III - comunicar que não possui a informação, indicar, se for do seu conhecimento, o órgão ou a entidade que a detém, ou, ainda, remeter o requerimento a esse órgão ou entidade, cientificando o interessado da remessa de seu pedido de informação.

Tais documentos já deveriam estar disponíveis ao acesso imediato a qualquer advogado e advogada, inclusive já deveriam estar na página da rede mundial de computadores. Não se trata somente de cumprir com a Lei, mas também de dar exemplo moral.

 
O Movimento OAB Democrática e Ética foi informado pela Secretária responsável pelo atendimento de que o Presidente da OAB/MT responderia pessoalmente tal requerimento enviando a resposta no endereço mencionado no requerimento.


Em razão do transcurso do prazo legal de 20 dias está juridicamente entendida a negação tática ao acesso a tais documentos. Não só por isso, mas também em razão disso está colocada nas ruas a campanha: OAB Limpa, Transparência Já.

Não seria exagero ou deselegante perguntar: Presidente, qual é razão da não entrega dos documentos?


BRUNO J. R. BOAVENTURA é advogado em Cuiabá.

sábado, 17 de março de 2012

A epopéia do sonho da democracia e ética na OAB/MT.

Ulisses, nosso personagem, havia conquistado o direito de ser advogado. Não foi um único dia o sonho esquecido, na cátedra havia sido dedicado, e foi aprovado no Exame da Ordem. Chegara o momento, pensava com exatidão de detalhes o passar à suas mãos a Carteira Vermelha, o olhar para frente e o dizer à sociedade que estava a postos para ser um operário da Justiça.
A convocação tão almejada apareceu, de forma estranha, disseram ao telefone que teria que conservar com a OAB. As portas do azul celeste, lá estava Ulisses, após subir as escadarias da Ordem. Percebeu que no Centro Político Administrativo de Mato Grosso, se fazia presente ao lado dos Poderes Constituídos, a sociedade representada pela classe dos advogados.
Antes de terminar de empurrar a grandiosa porta, olhou ao lado e viu o emblema da Ordem esculpido na parede, e soube naquele momento que ele próprio seria a força da representativa da OAB. Agora, um impressionante salão havia lhe tomada a visão, não conhecera ainda tal superestrutura, o aspecto da subida do olhar ao teto deu-lhe a exata noção do alcance da missão da advocacia.
Não havia ninguém na mesa da recepção, os folhetos todos jogados ao chão, as samambaias na parede estavam secas, e sem perceber mais nada, a luz simplesmente apagou. Ulisses assustado, ouviu uma voz lhe dizendo que não precisava ter medo, bastava-lhe a confiança.
A luz então se fez novamente, na rampa que liga o átrio ao plenário, em frente a ata da fundação da OAB/MT estava um Senhor que assim lhe dirigiu a palavra que ressoou no mesmo tom do vento que avisa a chuva cuiabana:
- Prazer, Ulisses, deixe me apresentar, meu nome é Silva Freire, eu sou a OAB/MT. Antes de receber a honrosa incumbência da advocacia, terás que comigo conversar. À ti confiarei o futuro da Ordem, duvidareis de mim e a oportunidade de advogar lhe escapará pelas palavras.
Então, atônito, Ulisses viu os panfletos arrumando-se na mesa a frente, e as samambaias na parede recuperando o verde. Apressadamente se pôs a confiar no outro, mas a duvidar da sua própria capacidade para tal responsabilidade, respondeu:
- Não percebeu, sou jovem e nada sei sobre o que se passa aqui.
- Exatamente em razão disso, Ulisses. Os retratos dos ex-presidentes, que sustentam as paredes da OAB/MT, não nos permitem vagar mundo afora. Estamos todos presos ao que somente acontece aqui dentro. Olhará em meus olhos e comigo terás a primeira e mais sinceras das tuas audiências.
Indo ao acesso a rampa, reparou que na mesa da secretária havia a carteira, o documento de retirada, e a caneta para assinatura, pensou que não era então só estudar, passar no exame, mas teria que saber o que é ser um advogado.
Em cima de Ulisses, a porta ao final da rampa que liga o átrio a sala de reuniões se fechava. Por ali, havia passado Silva Freire. A pressa de entrar sem deixar a porta fechar, sem ter que fazer o esforço de abri-la novamente, impossibilitou Ulisses de ler a ata de fundação da OAB/MT postada na parede da curva da rampa.
Silva Freire, já havia entrado na sala de reuniões, novamente outra porta havia indicado à Ulisses o caminho a seguir. A pressa de se fazer respeitar por bem seguir os passos, lhe impediu de encarar a galeria dos retratos dos ex-presidentes. Ao entrar, na sala, percebeu que a bancada daquela audiência era diferente de todas as outras, era uniforme, ali não havia hierarquia entre advogados. Então lhe foi dito:
- Senta-se, e lembre que na tua casa, serás sempre convidado a ombrear em nossas lutas e anfitrião a bem receber os cidadãos. Olhai o meu rosto, e descreva-me com toda a crítica que move a mudança.
- Vejo um velho, desacreditado, que perdeu a esperança no olhar, carcomido pela mesmice do que acontece aqui dentro.
Inesperadamente, um grito lhe toma os ouvidos:
- Calúnia! Cala-te. Você não é digno de tais palavras, eu sou a OAB/MT, tenho história. Eu fiz a democracia ressurgir neste País. Eu fundei a República Federativa do Brasil. Estava certo, a sua juventude não lhe permite avaliar nada, você não conhece nada.
O peso da autoridade pesou na razão de Ulisses, assustado não sabia o que fazer. Sabia que havia sido muito ousado, mas que já assumira a responsabilidade com a verdade, tentaria novamente explicar-se.
- Presidente, quero lhe dizer que minha geração não conhece a OAB que tanta se fala. Não estava lá, não vi acontecer, faz muito tempo. Havia me dito que não sabia o que acontece lá fora, pois bem, eu lhe digo a OAB em nosso Estado não tem esta mesma postura que te orgulha.
- Difamação! Somos todos filhos da respeitabilidade desta instituição. Nenhum de nos pode dizer nada que possa desacredita - lá. Já que acusa, terá que provar. Não queres ser advogado, sustentará a sua infâmia à todos os ex-presidentes da Casa de Montezuma. Ao plenário!
Ulisses sai da sala de reuniões anestesiado pelo grito, mas percebera então o desafio que a vida lhe havia colocado: a advocacia não sabia mais o que era advocacia, e era chegada a hora do resgatar da própria definição. Passo a passo até o púlpito do plenário, o jovem estudante amadurava, não pensava em artigos, incisos, alíneas, sabia que a defesa teria que ser em princípios.
- Vamos, meu rapaz! Está aberta a Sessão Magna de Julgamento do que é advocacia em Mato Grosso. Eu, Benedito Sant’Ana da Silva Freire, na qualidade de presidente desta, designo para o debate, três advogados dos quadros de nossa história: João Villasbôas, Luís Carlos Ribeiro, e Ussiel Tavares. Convoco ao púlpito da história, para responder os questionamentos, o ainda bacharel de direito, Ulisses. Comecem o debate!
- À mim, João Escolástico Villasboas, foi confiada a honrosa carteira de número 1 da OAB/MT. Nas lutas que travei na advocacia e na política, sempre carreguei a vaidade de dizer que respeito é sinônimo de trabalho árduo. As margens do rio Paraguai, conheci a lição da vida que para seguir a correnteza é preciso astúcia para não afundar, e para subir o rio é preciso força para não desistir. Pergunto então, o que é advocacia, Ulisses ?
- É o barco, a que o advogado segue remando. Nossa correnteza é a burocracia que nos empurra sempre a fazermos que já se faz, nosso cuidado é para não afundarmos na formalidade e esquecermos do conteúdo. A força que precisamos não é para mudar o curso do rio, mas sim para subirmos até a nascente, limpando daquilo que o polui.
- Luís Carlos Ribeiro, advogado, preso político da ditadura militar de 64. Carrego comigo as marcas da ofensa à prerrogativa da nossa profissão. Conheço a vitória da democracia, porque sei o sabor dos amargores do autoritarismo. A prisão me ensinou isto: a vida do homem é feita da compreensão da liberdade. Olhar o céu pode ser simples, mas quando preso passei à lhe dar a devida importância. Ulisses, quero saber o que é democracia ?
- É a luz do Sol. É o princípio da advocacia. A onipresença em tudo o que um advogado faz pode causar a sensação de insignificância. A liberdade de compreendermos o direito, a liberdade de pedirmos por justiça é o céu que sem a democracia se torna a sombra sem fim.
Interrompendo o debate, o presidente da sessão, começara a fazer uma fala de justificativa:
- Nesta sessão, em razão do que se tem ultimamente falado nos corredores da Casa de Raymundo Faoro de que supostamente uma concorrência para contratação de escritório de advogado foi fraudada, abriremos uma exceção. Permitiremos, ao advogado Ussiel Tavares, que faça a última das perguntas.
- Tenho serviço prestado à OAB/MT, construi este prédio, hoje presido o Tribunal de Ética e Disciplina. Aqui defendi investigação de denúncias de compra de sentenças, e até vi Presidente de Tribunal de Justiça lamuriar aos prantos a ética da magistratura. Mas agora, perdeu um pouco o sentido, não sei mais qual é a moral que nos permite ainda continuar a ficar na representatividade da classe depois de 18 anos. Pergunto: o que é ética ?
- Ussiel, não sei o que ética. Não se pode teorizar ética, ou praticamos ou não a temos. Posso dizer que ética é o sentir. Sinto a ética da representatividade da advocacia em nosso emblema. Sinto a ética da importância da advocacia em nossa sede. Sinto a ética histórica na ata de fundação da OAB/MT. Sinto a ética de luta na galeria dos ex-presidentes da OAB/MT. Porém, não sinto a ética no jeitinho da licitação que se frauda a concorrência. O que acredito que a corrupção é a ambição de todos que se tornam incapazes de acreditar na advocacia, e que na democracia a transparência dos processos postos a luz do dia, realmente é a arma contra esses vendilhões.
Ulisses então, pode acordar do sonho, e se tornar um advogado em Mato Grosso.

Bruno Boaventura. Advogado. Membro do Movimento OAB Democrática e Ética.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

A praça popular e o jovem advogado.


Escrevo no tempo, uma carta à você, homem que age, mulher que luta, criança que ri, com o coração honesto. Ao mundo, presenteio uma outra racionalização de uma profissão pelo sentir de uma praça. Neste encontro do ler com a escritura, à ti dou-lhe a chave. É da gaiola do passarinho que cantarola na livre idade da praça popular.
Ali, em Cuiabá, se faz o charme crescer pela beleza do menino pobre que joga bola descalço na quadra do piso quente buscando o refresco da sombra da árvore grande. O charme cresceu foi na manga que se apedrejou, e no pão que ainda se economiza.
Não é mais o charme da vassoura de Mané Tá Raso Tá Fundo, mas no saber do curso superior de Seu Dito Queixo, o nosso novo higienizador. Não é mais no tomar banho na caixa d´agua abandonada da clínica de olhos, nem no decote da Elaine, mas continua o lugar da melhor coxinha de franga da cidade. Já foi se o tempo também do oleoso pastel do Max, mas ficou a esfiha do seu Habibe. Que diga João Gordo, o traficante regenerado pelo vício da bíblia. Que diga Júnior, o engraxate boa praça. Que livremente digam todos, tantos outros personagens populares: a idade da praça.
Ali, fui me tornando velho, vendo a morte pela droga, justamente de seu Palhinha que organizava os campeonatos de futebol. Compreendendo a política pelas atitudes dos Nunes. Sempre, tornar-me-ei novamente novo ao por as mãos na grade da quadra, e lembrar que nas finais ganhávamos do pessoal da Varginha do córrego 8 de abril, e corríamos com o troféu sob uma chuva de pedras, e caroços de mangas.
O charme é saber ti conhecer, desvelar a alma. A moda é pensar no que você é, ora praça do Goiabeiras, ora praça da COHAB Popular. Hoje, lhe falo: não há alma melhor do que a conhecida.
Então, ontem, na melhor mesa do bar do Azeitona, a dos amigos conhecidos. Ontem, na melhor praça de Cuiabá, a já muito conhecida Popular, conversando sinceramente com o jovem advogado Sebastião Monteiro tive a convicção de saber o que faz a advocacia como classe profissional.
É o sofrer dos advogados e advogadas na arte de tornarmos leves enormes pesos. É sentirmos o peso em nossos ombros da angústia da necessidade pelo tempo possível da resolução, e ainda sermos explicitamente calmos na definição da justiça. À nos advogados, a universidade do direito, a história da vida e o exame da OAB nos possibilitam sermos a janela para a compreensão da sociedade, do Estado e do mercado.
Não devemos desperdiçar sendo irresponsáveis, antes de tudo, conosco. A praça popular nos ensina. O charme não está nos carros, nas roupas, e na comida. Está na história, pois ante tantos encontros e desencontros, ainda é possível manter o amor que nos define pela preservação da identidade da alma que construímos.
Definíamos na praça dos profissionais não necessariamente como populares, mas como exigentes democráticos. A democracia da bola sem dono, a democracia da praça de todos.
Bruno J.R. Boaventura. Advogado.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Manifesto 15.11.11.

Todos temos motivo para marchar. Não é derramar lágrimas, ou lamentar os fatos. Não é desesperançar alguém.

Estamos a comemorar o fim do autoritarismo do Império. Estamos a lembrar o fim da opressão do absolutismo. Estamos a proclamar o fim da personificação do Estado. Estamos a reviver a República. Estamos marchando porque acreditamos.

Acreditamos na honestidade. É nisso que acreditamos. Acreditamos na democracia. É nisso que acreditamos. Não a democracia dos partidos, não a democracia dos corruptos. Acreditamos na democracia popular, na democracia direta. Marchamos por esta democracia, porque queremos viver esta democracia.

Teremos que ser fortes para enfrentar a corrupção. Teremos que ser firmes para enfrentar a corrupção.

Somos os esperançosos de um novo tempo. Um tempo da consciência. Conscientes da nossa origem, diria os índios. Conscientes da finitude de nossa natureza, diria os negros. Conscientes do futuro, diria as mulheres. Conscientes da nossa esperança, diria as crianças. Conscientes da nossa sensibilidade, diria os homossexuais. Conscientes dos erros do passado, diria os verdadeiros homens deste novo tempo.

Aos que corrompem, e aos que são corrompidos, digamos com firmeza: vocês são fracos. A fraqueza do caráter, nós repugnamos. A fraqueza da responsabilidade, nós repugnamos. A fraqueza no exercício da função, nós repugnamos.

Não deixaremos, nunca mais, que façam da história de nosso País, de nosso Estado, de nossa cidade, de nossa vida, a marca de sua desforra.

Queremos República, queremos pena para os culpados. Queremos República, queremos fim aos privilégios. Queremos República, queremos 10% do PIB à educação. Queremos República, queremos ficha limpa. Queremos República, queremos fim do voto secreto no Parlamento. Queremos República, força ao CNJ. Queremos República, conseguiremos reformando-a politicamente.

Nada seremos sem mobilização. Que façamos aumentar a nossa rede de parceiros. Que escolhemos os nossos inimigos. Que façamos nossas vitórias acontecerem. Que façamos todos entenderem a nossa luta. Está é a luta daqueles que já não ficam mais parados, dos que não esperam acontecer.

Ontem indignamos, hoje marchamos, e o amanhã será nosso. Vamos sim, é possível sonhar o alvorecer deste novo amanhã.

Um amanhã sem trabalho escravo que corrompa o homem. Um amanhã sem patrimonialismo que corrompa o mérito. Um amanhã sem veneno que corrompa a comida. Um amanhã sem ganância que corrompa a nossa natureza. Um amanhã sem medo que corrompa a sociedade.

Um amanhã, Um Brasil, uma Nação Independente, o futuro da Igualdade, Liberdade e Fraternidade.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

A opressão econômica

A história demonstra a grande antinomia da humanidade, a intersecção da individualidade e da coletividade é a luta incessante daquilo que esta coletividade - não entendida como a coletividade propriamente dita, mas sim daquilo que se possa pressupor como coletivo - quer dominar o indivíduo, ou seja, a opressão.

A opressão então deve ser entendida como a pressão constante do querer dominar a consciência do indivíduo, desvirtuando a consciência do indivíduo sobre a própria existência, sobretudo através do medo. Já o indivíduo que não conscientiza a sua existência acaba por somente pensar e agir em pressupostos que não lhe sejam próprios. Pressupostos contrários à sua condição humana se tornando assim oprimidos.

O equilíbrio do meio social tem como preocupação principal a aporia da proporcionalidade da individualidade com a coletividade, do naturalismo com o positivismo, da neutralidade com a materialidade, enfim do poder com a opressão.

E o risco que corremos é de nossa individualidade ser tão grande ao ponto de queremos impor a nossa personalidade como conduta humana imperativa, ou de nossa individualidade ser tão pequena ao ponto de não estabelecemos como personalidade vivida .

Contemporaneamente, a realidade demonstra que a condição humana na sociedade ocidental é circunscrita na opressão econômica. A opressão é ungida no medo introjetado na individualidade do não pertencer a coletividade por uma razão puramente econômica.

O medo não é o de não conseguir pagar as contas, mas sim de ser excluído da possibilidade de ser coletivo pelo modo fantasioso que a nossa consciência passa a entender a nossa existência como um ser competindo individualmente pela sobrevivência e não coletivamente cooperando pela sobrevivência. Não ser competitivo é ser excluído da vida, já que a condição humana fundamental é competir.

A individualidade dos oprimidos nos é projetada em todos os outros aspectos, políticos, jurídicos filosóficos e até culturais, como um mero padrão econômico de sobrevivência. Para que possamos existir na circunstância da opressão econômica devemos competir constantemente uns com os outros para que possamos manter ou elevar o padrão econômico de sobrevivência.

O padrão é que o indivíduo somente se relaciona com outros indivíduos de uma mesma classe econômica. A opressão é fazer dominar que não existe nenhuma outra identidade social de relação destes indivíduos, outros interesses que possam substanciar-se como coletivos, além da sobrevivência econômica na competição.

Não existe coletividade, além do econômico, além do consumo. Assim a relação naturalmente antinômica entre indivíduo e coletivo do tempo contemporâneo é padronizada não pela consciência da existência da condição humana, mas pela inconsciente condição econômica.


Bruno Boaventura.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Para não dizer que não marchei.

No próximo dia 15 de novembro a proclamação da República será reavivada. Não só pela comemoração dos 122 anos, mas também pela marcha nacional que lembrará à todos o que é sermos um país, uma nação, um estado em que a res é ainda pública e não privatizada.
Muitos já marcharam contra a escravidão, contra a ditadura, por impeachment, mas agora é o tempo de marcharmos contra a corrupção. Não é a marcha de uma classe social, não é a marcha de um lado político, não é a marcha de partido, não é a marcha de uma organização, é a marcha por uma idéia.
É a marcha de um todo social que acredita na idéia de que a coisa pública deve ser sinônimo de honestidade, e não de corrupção. Tal idéia é manifestada na ficha limpa, no fortalecimento do CNJ, no fim do voto secreto, e tudo aquilo que possa ser antônimo da corrupção.
A marcha é aberta, por incorporar reivindicações de toda à sociedade que se quer organizar contra a roubalheira. A cada manifestante da marcha tem não só o direito, mas o dever de estampar nos cartazes aquilo que pensa como representação do combate à corrupção. O empresário lembrará dos impostos que são pagos, sem serviço público condizente. A professora da força do exemplo de sua lição corrompida pela impunidade. O advogado da vendas de sentenças. O estudante do desgaste do mérito do estudo por indicações políticas. Principalmente, a marcha contra a corrupção é um levante contra a miserabilidade do espírito humano que se tornou tacanho ao sofrimento do próximo.
Estamos todos marchando juntos contra a indissociação da democracia com a corrupção. Não suportamos mais saber que Estado Democrático de Direito foi transmudado para Estado Autocrático de Privilégio. Basta com os maus exemplos, como o aumento da verba indenizatória dos vereadores de Cuiabá e dos deputados de Mato Grosso.
Não se trata somente do Brasil, tal constatação é global. Atenas, Roma, Nova York, e em todas as cidades existem a constatação de que é preciso mudar. Lutemos então para mudar o fato de que as decisões políticas que deveriam atender à todos, ou pelo menos a maioria, sempre estão a privilegiar uma minoria.
Ninguém poderá dizer que não teve a oportunidade de marchar. No futuro próximo, nossos filhos ou netos perguntarão se estávamos presentes quando fomos convocados a lutar contra o mal do século.
Aqueles que ainda ficam parados, tenho uma pergunta: acreditam que o Estado não tem dinheiro para resolver a questão social e que nada disso adianta? O Estado arrecada dinheiro o suficiente para que todos os problemas sociais sejam resolvidos. Acontece que o Estado atual é eficientemente estruturado para ser corrupto, e devemos dar o basta nisto.
No dia 15 de novembro, a concentração em Cuiabá será a partir da 15:00 na praça Ipiranga, e o trajeto até a praça da República. Venha, e diga com orgulho à todos que você marchará contra a corrupção.
Bruno Boaventura – advogado.